quarta-feira

no coração da floresta

Ela passava por aquele caminho todo dia bem cedo. Era a única rota para chegar à escola. Há uns meses ela abominou a ideia de se mudar para aquele fim de mundo, mas o preço da casa estava ótimo, sua irmã não podia recusar. Hoje, tem certeza que foi a melhor coisa que aconteceu. Ir e voltar caminhando não era um sacrifício. Naquele lugar, isso era um presente. 

O sol, que ainda estava nascendo, projetava as sombras das árvores no chão de terra, essas um tanto quanto interessantes. A imaginação da garota brincava com as formas e criava histórias para elas. Ela podia jurar que havia visto um duende conversando com uma fada. Podia jurar que ouvia sussurros vindos da floresta. Podia jurar que já tinham dito seu nome.

"Deve ser só sua imaginação fértil", disse sua irmã mais velha uma noite, enquanto ela, sentada perto da lareira, contava o que achava ter visto. "Deve ser", a menina concordou. O que ela sabia ficaria guardado com ela.

No dia seguinte acordou bem cedo, tomou seu café e seguiu pelo mesmo caminho. Como sempre, deixou na cesta, escondida numa árvore na entrada da floresta, uma flor. Na volta para casa, checou o local e, como sempre, a flor havia sumido. Ninguém além dela sabia daquele lugar, daquela cesta, naquela árvore. E ela jurava, ah, ela jurava que ouvia sussurros vindos da floresta. Eles diziam: "Obrigado, Annie!".

2 comentários:

  1. Esse conto me lembrou ao filme Eurovision Song Contest: The Story of Fire Saga. É muito bobo, mas tem uma parte que a menina pede favores a elfos e as coisas começam a acontecer do jeito mais absurdo possível, é ótimo, hahah.

    Beijinhos.
    Masha Alkhim

    ResponderExcluir
  2. UAU Letícia, amei o conto. Na verdade fiquei querendo saber mais sobre a história ~ acho que seria uma boa ideia transformar num livro, que tal? Beijo, beijo :*

    Não Me Mande Flores

    ResponderExcluir

agradeço a visita e o comentário! deixe o link do seu blog. :)